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TEMA PARA O ANO – AGOSTO

MULHER CRISTÃ FIRMADA NA ROCHA A CAMINHO DO CÉU


“Pois isso está na escritura: Eis que ponho em Sião uma pedra angular, eleita e preciosa; e quem nela crer não será, de modo algum envergonhado.” (I Pe 2:5 – ARA)


SUGESTÃO DE ESTUDO PARA REUNIÃO DE MULHERES NO MÊS DE AGOSTO


ALIVIANDO O ESTRESSE PELA RENOVAÇÃO DA MENTE E

PELO ORDENAMENTO DAS EMOÇÕES

Comorbidades da Alma (Rm 12:1 e 2; Fl 4:8)


Levei meus filhos para o laboratório. Precisavam fazer exames de sangue, e coube a mim a tarefa delicada daquele dia. Isso não seria problema porque os homens da casa bem poderiam enfrentar aquela agulha maldosa, precedida por uma borracha estranha chamada de “garrote”. Ao chegar ao destino fatídico, fui surpreendido pelo “desagradável barulho de choro (berro) infantil”. Chamei os dois rapazes que ainda eram crianças, e lhes adverti com calma e firmeza: “vocês vão fazer o exame, e pode acontecer de sentirem dor. Se doer, podem chorar porque às vezes a gente chora mesmo quando algo está doendo. Mas se chorarem antes da dor, vamos ter uma ‘conversa’ quando chegar em casa! O papai foi claro?”

Lamento imensamente que naquela época, o jovem pai não entendia que o furo de uma agulha dói muito menos do que dores emocionais, tais como ansiedade, medo, estresse, memórias de outras agulhadas e uma variedade de males que afetam as emoções da gente. Aprendi que, além das possíveis “comorbidades” do organismo de pacientes de Covid-19, existem “comorbidades da alma”. Elas são situações emocionais e espirituais preexistentes que podem nos maltratar de modo intenso e duro quando enfrentamos as lutas que parecem ser maiores do que podemos suportar.

Crises emocionais são antigas na experiência humana. As questões emocionais vão marcando terreno nas páginas do Antigo Testamento de modo insistente. Ainda no Éden, nossos primeiros pais sentiram a dor da culpa, da vergonha e do medo, provocados pelo pecado (Gn 3). Aliás, sempre é bom lembrar que o primeiro ser humano a confessar que estava com medo foi um homem (e, por favor, não contem isso às mulheres!!!). Testemunhamos a dor de pais que perdem um filho tão querido, somada à angústia de terem que lidar com a rebeldia de um filho que se afasta de Deus. Somos informados, por exemplo, sobre a angústia de Sara à espera de um filho, ao ponto de oferecer sua serva como alternativa sexual para o marido.

O que se pode dizer do sentimento de rejeição de Lia, ou da situação de Raquel, sua irmã, quando acompanhava cada período de gravidez, e, finalmente, o nascimento dos bebês da irmã mais velha, quando ela era privada dessa alegria? Como foi que Joquebede lidou com suas emoções quando soltou seu filhinho de três meses dentro de uma cesta, em um local de remanso do grande Rio Nilo? Você se lembra das lágrimas de Ana, humilhada por Penina, a outra esposa de seu marido? Que cena foi aquela quando, em oração fervorosa, é tida como bêbada pela autoridade religiosa de seu tempo? Quem não se lembra da história de Noemi, que desejava ser chamada “Mara”, diante da amarga história de vida? Como foi que Tamar, a filha de Davi, lidou com o abuso sexual a que foi submetida por seu próprio irmão?


O ministério do Senhor Jesus, além de trazer salvação dos pecados,

contemplou uma grande quantidade de pessoas cansadas e sobrecarregadas.


O ministério do Senhor Jesus, além de trazer salvação dos pecados, contemplou uma grande quantidade de pessoas cansadas e sobrecarregadas. Na verdade, Ele as chamou para perto de si, oferecendo-lhes um jugo suave e um fardo leve, exatamente para que pudessem encontrar descanso para suas almas. O luto fez parte da história de Maria e Marta, da anônima esposa de Jairo, da viúva da pequena cidade de Naim, e até mesmo de Maria, a mãe humana do nosso Salvador. As “comorbidades da alma” eram presentes na história da mulher siro-fenícia, da mulher surpreendida em adultério, da samaritana... O Senhor Jesus, que conhecia muito bem a natureza humana e se fez humano, lidou com dores (varão de dores), cansaço, sede, lágrimas, contentamento, ansiedade e angústia. Pouco antes de sua morte, Jesus lidava com a angustiosa tarefa de oferecer perdão aos que o maltratavam, incluindo um ladrão, companheiro de desdita no monte do Calvário.

A história da igreja primitiva inclui situação de pobreza que requeria repartição dos bens entre os que mais necessitavam e o levantamento de oferta entre os irmãos que tinham mais recursos para os carentes. Aliás, se o pão foi fruto de milagres extraordinários de Jesus, no livro de Atos dos Apóstolos, o milagre estava na transformação do coração das pessoas, que davam ofertas, ou vendiam suas propriedades para socorro aos necessitados. Haveria material suficiente para um longo texto se fôssemos falar sobre as experiências pessoais do apóstolo Paulo e dos outros apóstolos, como também imaginar a tensão emocional e nervosa requerida nos diversos contextos do livro de Apocalipse.

Existem variedades de “comorbidades da alma”. Lidamos com a necessidade de cura de nossas memórias, especialmente no que se refere a mágoas, ressentimentos, feridas emocionais e ódio. Esses são exemplos que merecem destaque, pois são frutos do pecado abrigado em nós. Sentimentos e ressentimentos precisam ser administrados para que eles não tomem de assalto as dimensões de nossa mente, até que sejamos capazes de controlar o que deve, efetivamente, fazer parte de nossos pensamentos, ou seja, “...tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento” (Fp 4:8). Somam-se a eles as pressões resultantes de enfermidades físicas crônicas, dívidas, solidão e sentimentos de abandono e inferioridade, conflitos insistentes e duradouros, e tantas outras formas de pressões. As filosofias e as influências de nosso tempo precisam ser superadas por uma urgente habilidade para firmar valores sólidos de nossa fé e de nosso relacionamento com Deus e sua igreja.

Somos motivados a “pôr a casa em ordem” (II Re 20:1) e a verificar a saúde física com regularidade. É também nosso dever buscar o ordenamento da vida emocional, cuidando das “comorbidades da alma”, prevenindo o que é possível, buscando cura para enfermidades emocionais e espirituais, perdão para os pecados cometidos e dedicando-nos à manutenção saudável naquelas áreas consideradas saudáveis. Isso significa saúde para as memórias, controle sobre os sentimentos e, especialmente, santificação da alma, mediante a obra salvadora de Jesus Cristo, nosso Senhor. O apóstolo Paulo resume a tarefa (Rm 12:1-2) dizendo que, em vez de tomar a forma do mundo, devemos ser transformados pela renovação da mente, para que experimentemos a vontade de Deus – boa, agradável e perfeita!


Rev. João Batista Cavalcante

ICE Central de Goânia - GO

ANO XXXI MAIO - AGO/2021 Nº100






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