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ESPERANÇA QUE TRANSFORMA


“Ora, a esperança não nos decepciona, porque o amor de Deus

foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.”

(Rm 5:5)


A sociedade contemporânea construiu sua base de segurança sobre pilares frágeis: homens, bens materiais, saúde e posição social. Muitos acreditam que um futuro melhor depende de líderes humanos. Em tempos de eleição, vemos pessoas depositando suas expectativas em candidatos que possam solucionar as desigualdades e trazer justiça e bem-estar.

Outros colocam sua esperança nas riquezas, acreditando que o dinheiro é a fonte da alegria e da segurança. Há ainda os que confiam na saúde e no vigor físico, como se a juventude fosse garantia de um futuro bem-sucedido, reflexo de uma sociedade de marcada pelo narcisismo e pelo prazer momentâneo.

Mas, ao analisarmos esse sistema de valores, percebemos sua fragilidade. Com o passar do tempo, a esperança apoiada nessas coisas se transforma em decepção, frustração e angústia. O cansaço e as incertezas minam a fé e o ânimo de muitos, gerando tristeza e até desespero. A esperança muda a forma como reagimos, como tratamos as pessoas e como enfrentamos os desafios. Ela nos torna mais firmes, mais amorosos e mais parecidos com Cristo.

No entanto, para quem está em Cristo, existe uma esperança diferente, uma esperança que não é ilusória, mas firme e transformadora. É sobre essa esperança que o apóstolo Paulo escreve aos Romanos ao afirmar: “a esperança não nos decepciona.”

Essa esperança não é vazia, porque não está baseada em expectativas humanas, mas no próprio caráter de Deus. O alicerce da esperança cristã está na natureza divina, em Jesus Cristo e na Palavra eterna do Senhor.

Mas como podemos ter certeza de que essa esperança não nos decepcionará? Paulo responde com clareza: “porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.”

O fundamento sólido da nossa esperança é o amor de Deus. Há uma verdadeira efusão desse amor em nossos corações, uma ação abundante e constante do Espírito Santo.

Assim como o Espírito foi derramado sobre a Igreja no Pentecostes, o amor de Deus é continuamente derramado no coração de todo aquele que foi justificado. A palavra “derramar” transmite a ideia de plenitude, refrigério e encorajamento.

Vale notar ainda a mudança de tempo verbal em Romanos 5:5: o Espírito Santo “nos foi dado” (no grego dothentos, referindo-se a um fato passado), mas o amor de Deus “é derramado” (ekkecutai), descrevendo uma ação passada com efeitos permanentes.

Recebemos o Espírito uma vez por todas, mas somos continuamente inundados pelo amor de Deus, um amor que sustenta, renova e transforma a nossa esperança todos os dias. Essa esperança produz frutos visíveis. ELA GERA AMOR, um amor que ultrapassa os sentimentos e se manifesta em atitudes concretas.

Quando a esperança de Cristo habita em nós, compreendemos que Ele não morreu por pessoas dignas do amor de Deus. Pelo contrário, como afirma o apóstolo Paulo, éramos fracos (v. 6), ímpios (v. 6), pecadores (v. 8) e inimigos (v. 10).

Com linguagem progressiva, Paulo descreve quatro aspectos da nossa condição humana sem Cristo. Mesmo assim, embora fôssemos merecedores do juízo divino, Deus, em Sua graça, nos alcançou e derramou em nossos corações o Seu imenso amor.

Quando entendemos essa verdade, somos naturalmente levados a amar o próximo, a perdoar e a agir com compaixão. Mesmo quando somos feridos, a esperança nos recorda que fomos amados primeiro, e é esse amor que nos capacita a retribuir com graça.

Além disso, A ESPERANÇA NOS ENSINA A PERSEVERAR. A vida cristã é marcada por lutas e pressões vindas de diferentes direções: do inimigo, do mundo e das nossas próprias fraquezas. Jesus foi claro ao dizer: “No mundo tereis aflições” (Jo 16:33).

A tribulação, porém, tem um papel pedagógico. Ela não nos destrói; antes, nos forma e nos amadurece. Paulo ensina que a tribulação produz paciência, a paciência produz experiência, e a experiência produz esperança (Rm 5:3-4).

A palavra grega para “paciência”, hupomoné, significa “paciência triunfante”, a capacidade de permanecer firme e confiante mesmo diante das circunstâncias adversas.

Já a palavra dokimé, traduzida como “experiência”, carrega a ideia de algo provado e aprovado, como o ouro que é purificado pelo fogo.

Nas provações é que Deus nos ensina as lições mais profundas da fé e amadurece o nosso coração, em um processo que gera maturidade espiritual. É um ciclo de crescimento: quanto mais confiamos em Deus nas provações, mais fortalecida se torna a nossa esperança.

Não desistimos, pois sabemos em Quem temos crido. A esperança nos sustenta no meio das tempestades, lembrando-nos de que há um propósito divino em cada processo que enfrentamos.

Por fim, essa esperança transforma atitudes e decisões. Uma pessoa cheia de esperança, com alicerce firme em Cristo, escolhe viver pela fé, e não pelo medo. Decide agir com confiança, mesmo sem ver o resultado. Passa a olhar a vida com os olhos de quem crê que Deus está no controle de todas as situações.

A esperança muda a forma como reagimos, como tratamos as pessoas e como enfrentamos os desafios. Ela nos torna mais firmes, mais amorosos e mais parecidos com Cristo. A esperança que vem de Deus não é fuga da realidade, é luz que brilha dentro de nós e se manifesta em cada gesto, palavra e escolha.

A afirmação de Paulo aos Romanos de que “a esperança não nos decepciona” é uma poderosa lembrança da fidelidade de Deus. É um convite a viver com confiança e expectativa nas promessas divinas, sabendo que o amor de Deus é a base segura sobre a qual nossa esperança está firmada. Que possamos, a cada dia, renovar essa esperança, permitindo que ela transforme nossos corações, direcione nossas decisões e revele ao mundo o amor de Deus que habita em nós.





Por Lisiane Taís Velho Tussini


 
 
 

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