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Missionários de além-mar abençoando o povo de cá

"Deus deu a cada uma, um ou mais dons espirituais. Procurem descobrir quais são, e então, desenvolvam-nos. Seja de ministrar a Palavra, evangelizar, animar os outros – a lista que Paulo dá é grande e não inclui a todos. Exercitar seu dom deve ser um preparo para o serviço que a irmã há de prestar a Jesus nos novos céus e na nova terra." Dª Betty Bacon



Nesta edição da revista Diadema Real, gostaríamos de apresentar um casal de grande influência no cenário evangélico brasileiro: Rev. Henry Bacon e Dª Betty Bacon, que estão no Brasil desde o início da década de cinquenta.


Nascidos na Inglaterra, eles se conheceram na faculdade onde cursavam Língua e Literatura Inglesa. Devido à II Guerra Mundial, Henry Bacon havia deixado o curso universitário para servir às forças armadas inglesas, retornando justamente quando a jovem Betty já ingressara seus estudos ali.


No Brasil, este casal foi usado por Deus na área de evangelismo e plantação de igreja; no pastoreio de igrejas; como diretores e professores de seminários e institutos bíblicos (IBB - Instituto Bíblico do Brasil de São Paulo; IBM - Instituto Bíblico Mineiro em Belo Horizonte; SETECEB em Anápolis; Seminário da Pedra de Guaratiba, no Rio de Janeiro); e como apoio ao trabalho de jovens cristãos universitários (ABU – Aliança Bíblica Universitária).


O Rev. Henry Bacon é profundo conhecedor e professor dos livros do Antigo Testamento e Dª Betty Bacon, além de professora de hebraico e autora de alguns livros, participou da comissão que produziu a Nova Versão Internacional (NVI) da Bíblia Sagrada. Ela também tem ajudado muito a Editora Cristã Evangélica escrevendo lições e auxiliando os editores na organização dos temas para lições, especialmente as relacionadas ao Antigo Testamento.


Após sua aposentadoria, o casal foi morar em Meaípe – ES, onde começou a evangelizar e discipular seus vizinhos na garagem de casa e daí formou-se uma igreja que, neste ano, completa dezessete anos. Diadema Real fez uma entrevista com Dª Betty, a fim de que nossas leitoras possam conhecer melhor esta mulher de Deus, que também é uma de nossas escritoras.


Diadema Real - Quando jovem, em sua terra natal, quais eram suas expectativas quanto ao futuro?


Dª Betty – Como nasci numa área rural perto da cidade de Oxford, aos 12 anos, já criava galinhas e meu plano para o futuro era ter uma granja para criar galinhas, perus e patos.


Diadema Real - Como foi sua conversão?


Dª Betty – Fazendo faculdade em Londres, comecei a frequentar um pequeno grupo evangélico que fazia estudos bíblicos na hora do almoço - como a ABU no Brasil. Ali, me apaixonei pelo Antigo Testamento. A minha conversão aconteceu quando estava sozinha na casa onde me hospedava em Londres. Uma noite, estava lendo o capítulo nove do Evangelho de Marcos em que um pai traz a Jesus o filho mudo por ser possesso. Disse ao Senhor: “se podes fazer alguma coisa, tem compaixão de nós e ajuda-nos”. E à pergunta “Se podes?”, disse Jesus: “Tudo é possível àquele que crê.” Logo o pai gritou: “Creio, ajuda-me a vencer a minha incredulidade!”. Imediatamente me ajoelhei e fiz a mesma oração. Na manhã seguinte, reconheci que já confiava no Jesus vivo.


Diadema Real - Como tem sido o seu ministério e de seu esposo dentro da igreja brasileira e fora dos muros da igreja?


Dª Betty – A maior parte de nosso ministério no Brasil tem sido lecionar em seminários evangélicos. Para entender melhor a cultura do Brasil, procuramos ler os seus bons escritores. Depois, foi útil usar estes para evangelizar, especialmente nas faculdades, mas também em artigos e aulas. Por exemplo, no tempo do governo militar, não era permitido dar aula sobre Jorge Amado por causa de seu apoio ao comunismo (depois de ver a realidade na China comunista, seu entusiasmo por aquela ideologia diminuiu muito). Sob o mesmo governo, o grupo da ABU Rio/Niterói (Alunos cristãos universitários) reunia-se no galpão de nossa casa. Eles queriam evangelizar as faculdades. Após obter permissão da polícia, dei palestras na faculdade de letras do Rio sobre Jorge Amado, Guimarães Rosa e Graciliano Ramos. Tanta gente queria ouvir de Jorge Amado, que havia gente de pé até no salão nobre. Colocaram uma mesa com Novos Testamentos e O Evangelho de João. Toda aquela literatura foi levada para ler. Insistimos que os estudantes melhorassem seu conhecimento bíblico. Todo sábado à noite havia estudo bíblico para os universitários e, à tarde, para os secundaristas. Naquele tempo, Robinson Cavalcante morava perto e muito ajudava. Alguns preferiam os estudos ali aos de suas igrejas. Por isso, fizemos alguns estudos aos domingos. E mais, no congresso nacional da ABUB, o assunto foi “Igreja”, quando a importância de o cristão ser membro ativo de sua igreja foi enfatizada. Meu marido recebeu uma cópia de Os Sertões, de Euclides da Cunha, do velho missionário Stuart McNair, com a observação: “Você vai ter muita dificuldade em ler este”. Mas ele leu e ficou encantado. Ficou triste ao saber que, apesar de este livro ter tudo para ser uma obra de fama internacional, era pouco conhecido. Animado por uma conversa com o general Umberto Peregrino, que o levou a falar sobre Euclides no Instituto do Livro no Rio, Henry escreveu A Epopeia Brasileira, que Peregrino prefaciou. Assim, usamos nossa área de formação na faculdade (língua e literatura) para abrir portas à evangelização aqui no Brasil.


Diadema Real - Após várias décadas de ministério ativo com discipulado de jovens universitários e treinamento de futuros pastores, missionários e educadoras cristãs em vários seminários, como foi ter tido que "parar" e se retirar desse contexto para desfrutar da aposentadoria?


Dª Betty – Não ‘paramos’. Sempre digo que, no Reino de Deus, não existe ‘aposentadoria’. Deveríamos aposentar, oficialmente, em 1985. Creio que trabalhamos muito mais depois disso do que antes. Demos cursinhos para a ABUB, e algumas aulas especiais no seminário em Anápolis. Uma grande vantagem de sermos aposentados foi ter mais tempo para escrever (não há provas para corrigir, aulas para preparar, etc.). É verdade que sentimos falta dos alunos, com quem fizemos grandes amizades - mas vários deles têm nos procurado aqui em casa, o que muito nos alegra.


Diadema Real - A senhora tem alguma mensagem que gostaria de deixar para nossas leitoras?


Dª Betty – Deus deu a cada uma, um ou mais dons espirituais. Procurem descobrir quais são, e então, desenvolvam-nos. Seja de ministrar a Palavra, evangelizar, animar os outros - a lista que Paulo dá é grande e não inclui a todos. Exercitar seu dom deve ser um preparo para o serviço que a irmã há de prestar a Jesus nos novos céus e na nova terra.



MATÉRIA DE CAPA

Revista Diadema Real - Ano XIV Maio-Agosto/2013 Nº76

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